Mari Caminha

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O que traz felicidade?

“O que te traz felicidade?”, ele perguntou.
Realizar um sonho. Pintar as unhas de vermelho. Beber suco de melancia antes do prato principal chegar. Sentir o cheirinho do almoço  sendo preparado na casa dos meus pais. Me identificar e grifar uma frase legal em algum novo livro. Comer sozinha um cacho de uvas docinhas. Biscoito de chocolate com brigadeiro. Pessoas sinceras que ao invés de só dizerem o que pensam, agem como dizem. Casa arrumadinha e chão limpo. Assistir e fotografar o pôr-do-sol.  Quando dizem que meu cabelo cresceu. Descobrir que não esqueci o fone de ouvido em casa. Mensagem no meio da madrugada. Ter tempo de passar na livraria com calma. Editar fotos antigas. O miado da Jade. Brownie com sorvete. Roda gigante. Ter ideias ao invés de conseguir dormir. Observar a noite em São Paulo, mesmo que dentro de um táxi. Final de semana sem compromissos marcados. Os agradecimentos do livro. Acordar com a luz do sol e ouvindo passarinhos. Uma temporada inteira de qualquer série durante a madrugada. Dizer coisas em silêncio, com o olhar. Bichinhos de pelúcias. Aprender um passo de dança. Borboletas no estômago. Rodízio no restaurante japonês. Correr no parque. Passar a noite conversando com amigos. Cozinhar para quem eu gosto. Quando consigo confiar de verdade em alguém. Ouvir uma música que traduz o que sinto. Ter dinheiro pra pagar as contas. Posar pra fotos. Estampa de coração na vitrine. Colocar cílios postiços de primeira. Escrever o último parágrafo de um texto. Dançar sozinha na frente do espelho. Batom vermelho. Quando estão falando uma língua que não conheço por perto. Cortar as unhas e usar o teclado primeira vez. Quando alguém importante pra mim curte a foto. Maquiagem impecável. Comprar coisas pra casa no Shopping. Quando alguém gosta da minha chatice. Saltos. Viajar observando a estrada, no banco da frente. Quando estou decidida. Todos os emails respondidos. Quando decoro a letra da música. Aprendo alguma coisa nova que ajuda no trabalho. Brigadeiro com morango. Beijo na testa. A ansiedade de viajar para algum lugar novo. Quando abro a porta e vejo o quarto pela primeira vez, nos hotéis. Dormir a viagem toda. Cama elástica. Quando estou só e não me sinto sozinha.
“A paz”, respondi.
By Marii Caminha às 09:42 Nenhum comentário:
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terça-feira, 21 de julho de 2015

Esse texto é pra ti..


Esse texto é pra ti que com o passar do tempo aturou minhas burradas, que entendeu meus erros e que me perdoou várias vezes. Mesmo eu não merecendo. Que esteve ao meu lado nas alegrias e tristezas, que comemorou, cantou e se deixou sentir a minha companhia. Esse texto é totalmente dedicado à você que me ouviu horas e horas no telefone, que mandou sms e sempre apoiou minhas escolhas apesar de saber que eu, em algum dado momento iria sofrer com as consequências.

Esse texto é pra ti, meu bem, que me abraçou forte, que me acolheu nos braços. Que ficou ao meu lado, e cuidou de mim quando pensei estar sozinha.

Esse texto é pra você. Por ter dado o primeiro passo de uma dança que nos levou ao passo seguinte. Por ter acreditado em mim e insistido em mim.

Por ter pego a minha mão e ter me levado para conhecer a sua vida. Por ter me mostrado os teus sonhos e frustrações sem se esconder atrás das máscaras que a vida ensina.

Por você. Pelo seu sorriso. Pela sua paz. Pelo seu abraço. Pelo seu cheiro.

Por essas e outras. Pelo amor. E uma vontade imensa de estar ao seu lado. 

É por isso.

Esse texto é pra você saber que pode passar o tempo, as pessoas, os momentos, mas que nada nem ninguém poderá apagar as histórias que foram gravadas em mim.

Esses momentos, apesar de tolos ou engraçados sempre estarão comigo me guiando e dando a certeza que apesar de o mundo não ser um conto de fadas...rs.. Eu encontrei você, que me dá coragem de seguir em frente.

Muito obrigada por fazer parte da minha vida e principalmente da minha história.


Agora, deixa eu cuidar de você! 
By Marii Caminha às 07:41 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Gente de paz tumultuada

Eu  estava aqui na minha, quieta, sem pedir nada a ninguém. Apesar de ter o coração meio tristinho, remendado, cheio de curativos, eu estava bem. Meus óculos escuros e minha maquiagem me faziam mais forte. Escutei de alguém que quando a gente começa a cuidar da gente o resto se renova. Eu acreditei piamente nessa conversa. E estava até me curando de todas as outras dores que acumulei, viu?
Mas quem disse isso esqueceu de avisar que quando a cura começa a fazer sentido, os outros sentidos se aguçam e atraem essa gente que pede pra ser amada. Eu não pedi, você diz que também não. Estávamos só por aí, vagando, batendo os quatro cantos do mundo e abrindo sorriso pro vento, fingindo ser feliz, preenchendo o coração de coisas leves...
Mas uma hora a gente sabe que uma coisa pesada tem que entrar, puxar a cadeira, pedir um chá e conversar. Matar nosso tempo, pedir pra ficar. Você, sabe-se lá como, bateu na minha porta e por ironia do destino encontrou-a aberta. Sorte ou azar, entrou sem pedir licença, anarquizou minhas emoções. E não pediu pra ficar, simplesmente se instalou. Habitou o que antes era vazio, sem graça, disforme, branco. Trouxe cor.
Sabe essa gente que balança nosso mundo sem tirar a mão da cintura? Talvez finalmente eu tenha encontrado alguém assim. Simplesmente ancora minhas pressas e freia minhas desilusões. Eu não pedi. Nem estava a fim. Mas sabe essa gente que traz uma paz tumultuada? Sabe essa gente que traz um vício brando pra nossas vidas? E faz da gente dependente, sempre querendo mais. Talvez eu nunca entenda, talvez você nunca tenha paciência pra me explicar, mas quando a gente encontra 50% de cura num abraço, o resto do mundo pode se danar, a gente só quer amar.
E, apesar não ter te escolhido, a espontaneidade dos nossos corações desordeiros nos uniu. Você amarrota a camisa da sanidade e faz morada na minha mente. Ainda bem que você não pediu pra entrar, porque eu não deixaria. Ainda bem que você não me convidou pra dançar, porque eu não iria. Ainda bem que você percebeu a minha esquizofrenia e simplesmente chegou, ficou, me pirou. Você é dessa "gente" que invade e ganha a causa sem dar uma palavra.

By Marii Caminha às 08:42 Nenhum comentário:
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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Sou aquela...


Eu sou aquela que vai te ligar quando sentir vontade. Ou te mandar mensagem sem nem pensar duas vezes. Eu sou aquela que vai recuar quando você me ignorar. Posso tentar uma ou duas vezes, e depois te mando à merda mentalmente. Eu sou aquela que não vai deixar de atender o telefone só para você imaginar o que eu estou fazendo, ou demorar 1 ano para responder sua mensagem, para você pensar que sou muito ocupada, e nem ao menos vou falar não em não te ver se no fundo quero falar sim. Porque eu sou assim, sou presente e sou entregue ao que sinto. Se eu não quiser falar com você eu não vou falar. Se eu quiser o que me impediria de falar? O orgulho? O medo de você me achar apaixonada demais? E qual o problema se eu realmente estiver? Todos falam, e isso é comprovado, que as pessoas querem o que não podem ter. Que jogar um pouco com o outro faz bem para relação, ou seja, você não pode estar 100% a disposição, a pessoa tem que sentir sua falta, tem que achar que tem vários homens aos seus pés para começar a dar mais valor. E eu vou querer ser valorizada a base de ciúmes? Não estou falando que tudo isso que eles falam é mentira, é a pura verdade, as pessoas infelizmente são assim. Mas eu não quero ter que entrar nessa onda porque é assim que o ciclo funciona. Eu quero ter a liberdade de fazer o que eu quiser na hora que eu quiser, sem ter que pensar se a pessoa vai gostar ou não, se a pessoa vai dar valor ou não. Sim, eu quero ser eu mesma, e me forçar a entrar nessas situações que eu não quero, é ter vergonha de ser quem eu sou. É tentar me mascarar para a pessoa ver o quanto eu pareço forte, decidida, segura. Eu sou um poço de indecisão e insegurança, mas me deixa quietinha com esses meus monstros que eu própria que terei que aprender a dribá-los. E se a pessoa não consegue conviver com esses meus defeitos, o que ela está fazendo ao meu lado? Algumas vezes entrei na onda e deixava o telefone tocar na minha cara e eu não atendia. Ou como meu dedo coçava para responder uma mensagem, e eu tinha que contar no relógio meia hora para responder. Para que? Me pergunta se estou com essa pessoa hoje? Não estou dizendo que devemos parar a nossa vida para ficar à mercê de alguém. Estou dizendo que você é livre para fazer o que quiser. Hoje em dia é feio ser vulnerável, é brega falar que ama e o certo a fazer é entrar no jogo do amor. Só que nessas você pode perder e sair machucado. E quem disse que se entregando você não sai machucado? Sai, mas você não perde a si mesmo, porque você foi você mesma todo esse tempo. Eu procuro o amor e não um desafio. E se eu tiver que ficar sozinha por isso, tudo bem, não será a primeira vez.
By Marii Caminha às 07:04 Nenhum comentário:
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terça-feira, 23 de junho de 2015

Ela não vai voltar



Hey cara...
Eu sei muito bem, que você deve estar aí se lamentando por ser tão babaca, e por mais uma vez frustrar os sentimentos e a confiança dessa pequena-grande, menina-mulher.
Mas quer saber a real?!
Longe de tudo isso que vem roubando teu sono, e a tua paz. 
Quero que saiba que ela está bem, que você não conseguiu nem sequer arrancar uma lágrima dela. Digamos que foi até um favor, um "desancorar", do passado.
De tanto se machucar,  se iludir, e se agarrar a tudo e a todos pra se levantar depois de cada tombo que ela levava ao seu lado. Ela conseguiu estabilidade.
Fez das decepções do passado alicerce pra um futuro inabalável. E dessa vez eu botei fé.
Sim ela sempre será essa menina dócil e gentil, que você conheceu anos atrás, com uma personalidade forte, e simultaneamente uma capacidade incondicional de abrir aquele sorrisão largo, único, perfeito e LINDO.
E, eu?! Só parei pra notá-la, quando ouvi a história de vocês, narrada por ela, ressaltando cada detalhe, no final ela disse:-Da pra escrever um livro né?!
Só me dei conta do quão incrível ela é, ao perceber que mesmo depois de todos os seus feitos desagradáveis ela sempre esteve aqui, ressaltou o que havia de melhor, te ouviu, te acalmou, te amou e fez da cumplicidade um compromisso entre vocês. Admirável pra uma mulher do nível dela não ?!
Mas, parceiro, eu sinto em lhe informar que hoje NÃO...
ELA NÃO VAI VOLTAR!
Não mais atender suas ligações, muito menos responder suas mensagens.
Nada de cochilar ao telefone depois de uma longa conversa. 
Sabe o dia em que você estiver desejoso de ouvir ela cantar pra você?
Deouvi-la falar com toda propriedade, eloqüência, e empolgação que só ela tem?!
De compartilhar como foi seu dia e saber como foi o dela.
Então. Não vai rolar !
Não vai rolar café, não vai rolar passeio, não vai rolar mais planos... 
Nada entre vocês. Não mais.
É que diferente de você eu tô assumindo o compromisso de cuidar  pra sempre dela.
Depois de tudo o que ela já passou, de acompanhar as tantas idas e vindas de vocês, e oferecer por inúmeras vezes meu ombro pra ela chorar. Eu decidi que quero, e vou com todo cuidado, somar e estimular esse sentimento tão lindo que existe dentro dela: O AMOR, a capacidade de amar assim.
Hoje eu consigo perceber que apesar das nossas tantas diferenças, temos tantas afinidades, e consigo ressaltar nela qualidades das quais nunca encontrei em outra mulher.
Esses detalhes me fazem cada dia mais se apaixonar por ela.
Cantar, viajar, ler bons livros, e sorrir -Ah! como essa menina me faz sorrir!
Então, as probabilidades de que você veja por aí nossas "SELFIES" felizes, cheia de caras e bocas, beijos e sorrisos, são inúmeras. 
E acredite, ambos estamos e somos muito felizes!
E pra finalizar, só te faço um apelo porque sou parceiro.
Quando você encontrar alguém similar a ela, afinal igual a ela ouso a dizer "nunca mais"!
Tenta ser pra esse alguém no mínimo o que ela foi e sei que ainda é pra você, tenta pensar o quão sincero é ter olhos que brilham ao te olhar, e um abraço que consegue expressar muito mais que qualquer palavra dita ao pé do ouvido.
Cuide, e experimente AMAR de verdade, sem limites, sem embaraços desses tantos passados mal resolvidos. E vai...
Porque ela cara, ela eu te garanto. ELA NÃO VAI VOLTAR.
Nem hoje, nem amanhã, nem nunca mais.
By Marii Caminha às 19:32 Nenhum comentário:
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terça-feira, 16 de junho de 2015

Sequência de você

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Primeiro me flagrei sorrindo para uma foto sua, aquela com sorriso de menino, despreocupado, leve, tão contrário a mim, sempre cheia de bagagens. Então vieram as mensagens, o carinho, a segurança, a rotina de você. Me apeguei ao teu afeto, teu sentimento me afetou, e eu que sempre transbordava e me doava demais, não perdi nenhuma gota de amor, você só me roubou sorrisos, nenhuma lágrima, nenhuma mágoa. Você chegou cheio de si, reivindicando seu lugar, me fazendo paz, calmaria, aquela sorte de um amor tranquilo. Você preencheu a minha insegurança com certeza, e meu coração quebrado você colou com amor. Você veio como um vento de paz, e me deixou sorrindo, acreditando em todo o afeto que eu merecia ter. Você veio me amando, me cuidando, me mostrando que esse amor calminho, era tudo que eu precisava para me curar e amar de novo. Você mudou toda aquela sequência de amores errados, de apego exagerado, de bagagens e traumas emocionais. Você veio e transbordou tanto sentimento, que até a minha razão, sempre desconfiada da emoção, deixou que você ficasse. Não houve tempestade, nem chuva, nem raios, tudo que houve foi esse dia de paz, você conquistou meu amor me amando, e eu não poderia fazer nada além de te deixar ficar.
By Marii Caminha às 05:43 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Enquanto tivermos de ser

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Quando você chegou meu coração já surrado de tanto amar errado, não tinha ideia do que precisava. Você chegou tão quieto, manso, cheio de carinhos roubados e sorrisos sinceros e aos poucos foi mudando as coisas e as certezas de lugar. Foi me moldando a ti. Fez uma limpa no espaço, quebrou barreiras, jogou fora velhas memórias e fez do lugar o seu lugar.
Hoje me flagrei precisando de você. Hoje percebi que você ajeitou a bagunça toda feita de mim e me fez tua. Teu abraço de paz é o melhor abrigo para a minha alma andarilha. Eu nunca achei meu lugar, eu nunca quis realmente pertencer, mas você tem isso de me fazer sentir em casa, de ser o meu lar. Não tenho ideia de como me perdi tanto em você, afundei tanto em tuas águas, mas quando vi já tinha tomado tua mão, embarcado em tua vida, lutado tuas guerras, contado tuas pintas, decorado teus movimentos, dançado a tua dança. Essa segurança de dormir nos teus braços se fez precisa.
Me reconheci em você moço. Conectei tuas dores com as minhas, e pude ser afeto, carinho e atenção onde outrora só sabia ser dor. Me enxerguei no espelho de você e vi outro mundo, outro horizonte, outra chance. Hoje não poderia me fazer cega novamente. Que arte bonita essa tua de colocar cor no meu mundo preto e branco. Que coisa interessante essa nossa de nos reinventarmos juntos, de sermos mais, de sermos calor, alegria e certeza incerta. Que sejamos infinitos enquanto bem fizermos. Que sejamos amor enquanto sem dor. E que sejamos presente, futuro, escolha e sentimento enquanto tivermos de ser.
By Marii Caminha às 11:43 Nenhum comentário:
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Levanta..

Toma uma dose de vergonha na cara e levanta essa cabeça, menina. Você já passou da idade de morrer de amor, cê chegou em um estágio da vida que não da mais, entende? Você não pode se comportar como uma criança birrenta. Se jogar na cama e fechar os olhos como se pudesse apagar o resto do mundo não vai funcionar. A vida tá te chamando, o despertador já tocou três vezes e cê vai acabar se atrasando pro trabalho, pra cruzar com o verdadeiro amor da sua vida, sei lá. Vai que hoje você não encontra com aquele cara ma-ra-vi-lho-so dos filmes americanos? Seu horóscopo tá dizendo que estamos em um mês bom pro amor, vai que dessa vez da certo? Você precisa tentar. Não era ele. Ok. Mas e daí? Ainda tem tanto cara pra ser, tanta história pra arriscar, tanta dor e tanta alegria pra sentir. Percebe? Você não tá morrendo, menina, e nem vai. Só precisa largar de frescura e aprender a abrir mão do que deu errado. Já foi. Bola pra frente. Levanta, lava o rosto, bota um batom nessa boca, toma um café e enfia a cara no mundo. A sua vida mal começou.
By Marii Caminha às 15:17 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Ela venceu no amor


Ela sempre foi demais para ele. De verdade. Não pela beleza, embora ela fosse verdadeiramente linda. Mas é que ela nunca se vendeu pro carrão dele, nem para os bíceps do “projeto verão” que ele cultivava com um cuidado repugnante. Ela jamais se vendeu como as moças que se atraíam pela superficialidade dele. Ela enxergou além, ela se apaixonou pelas qualidades que ele não tinha.

Ela se orgulhava de ter sido escolhida pelo cara mais cobiçado do bairro. Ela sorria diante das declarações de amor recheadas de falsidade e de erros de gramática, ela se sentia especial. Ela se sentia em um conto de fadas e ele não conseguia ser sequer um sapo. Mas, coitada, a paixão tem dessas coisas.
Era triste ver uns olhos tão cheios de verdade imersos na superficialidade de um príncipe metido e de pau, provavelmente, muito pequeno – e digo príncipe no pior dos sentidos que pode ser atribuído à palavra.
Ele saía nas noites de sexta rodeado de biscates, mas ela se contentava com as segundas-feiras em sua companhia. Ela não via o quanto ela merecia mais. Ela era tão mulher pra aquele menino que nunca virou homem. Ela tinha um sorriso tão largo, mas toda aquela falta de amor quase o apagou. Quase.
Ela esqueceu. Doeu, e provavelmente ela pensou que não suportaria. Porque, você sabe, dói mesmo. Mesmo quando a gente sabe que não tem que ser, dói. Mas passa. E pra ela passou. Ninguém lia a sua dor no seu olhar – por que ele jamais perdeu o brilho. Ela guardou aquela dor tão bem guardada que, num belo dia, nem mesmo ela a encontrou.
Ela amou um idiota – mas, quem nunca? O importante é que ela não deixou que ele levasse nenhum pedacinho dela embora. Ele veio e passou, como uma tempestade que ensina a gente a ser mais forte.
Está mais linda do que nunca. Linda, viajada e bem amada. E o melhor disso tudo é que ela não faz questão de mostrar isso pra ele e nem pra ninguém – mas essas coisas a gente percebe no olhar, né? Quem a via de mãos dadas com um cara tão desprezível não imaginava que ela fosse tão mulher, mas ela provou que é.
Ele continua com as piores companhias possíveis. Sorrindo superficialmente, amando superficialmente, vivendo superficialmente. Até ele entendeu que não merecia tanto
Ela não se boicotou, enxugou as lágrimas e tratou de ser feliz como merecia. Foi em frente, de forma leve. Por que, além do que seus olhos poderiam ver naquele momento, havia algo – e alguém – melhor. E ela sabia. Por isso, ela venceu. Ela passou e deixou marcas, porque uma mulher de verdade sempre marca. E ele… Bem, ele só passou.
By Marii Caminha às 04:19 Nenhum comentário:
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Carta aberta ao meu amor que ainda não chegou

Eu já passei da fase de idealizar alguém, de criar histórias improváveis e nunca tive muita paciência pra filmes de romance. Mas confesso que hoje senti saudade. E não é saudade do que já aconteceu, é do que eu gostaria que tivesse acontecido. Não é saudade de momentos que guardo na memória, é dos que eu não vivi até agora. Não é saudade de alguém que veio e foi, é de quem ainda nem apareceu.

Tá, eu sei que é estranho pensar em alguém que não se conhece. E, pasme, talvez nem exista. Pode ser que sim, pode ser que não. Eu não sei. Porém eu penso, sim, em você às vezes. Confesso.

Essa noite, eu gostaria que você estivesse aqui pra gente ter uma conversa. Sim. Você mesmo, que eu não sei o nome, a cor do cabelo e nem o número do telefone. Queria te contar sobre as fases que eu duvidei da sua existência, as que eu realmente quis que você não existisse, as que te confundi com outro alguém e as que eu torci para que você não demorasse tanto para aparecer.

Queria dizer que eu vivo bem sem você, que estou muito feliz, que aprendi a ser sozinha, que adorei descobrir a sensação de não ter que dar explicações a ninguém nunca e que vai ser difícil me acostumar novamente a dividir a sobremesa. Mas confesso que, de vez em quando, eu sinto, sim, a sua falta. E não é de hoje.

Eu senti sua falta nas vezes em que saí e vi milhões de caras iguais. O mesmo estilo de roupas, cortes de cabelo parecidos, atitudes semelhantes e papos praticamente idênticos. Sim, porque eu nunca te vi, mas sei que você é diferente deles. Eu senti sua falta quando conhecia alguém que parecia se parecer com você, mas, no final, não tinha nada a ver. Certamente, porque embora eu não te conheça, sei que um completo idiota você não é. Eu senti sua falta quando o Nando Reis cantou "All Star". Previsível, porque me dei conta que o som que eu ouço não são as gírias do seu vocabulário.

Eu senti sua falta quando vi aquele casal de velhinhos sorrindo e de mãos dadas na praia. Evidente, porque já que está demorando, eu espero mesmo que viva bastante tempo pra compensar.

E hoje eu também senti sua falta. E escrevi porque eu tenho certeza que, caso exista, você me fará muito bem, virá com tanto, que somado ao meu muito irá transbordar. Sei que será a pessoa para eu desmoronar quando o vento for forte e me sentir vulnerável e pra jogar no sofá quando a vontade for grande demais pra chegarmos até o quarto. Sei que será a pessoa que me mostrará diversos caminhos, diferentes atalhos, novos pensamentos e que ficará quando todo o resto for embora.

E é por isso que sinto tua falta. Porque sei que será a pessoa que um dia irá ler esse texto comigo, perceber que também sentiu essa saudade e dizer: Meu bem, não se preocupe, nós temos o resto da vida para matá-la.
By Marii Caminha às 13:27 Nenhum comentário:
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quarta-feira, 25 de março de 2015

pra RECOMEÇAR

Eu tenho fiéis esperanças de nunca permitir que as dores e angústias tirem de mim a felicidade de viver. De acordar, mesmo em uma manhã cinza de terça-feira onde as probabilidades de tudo dar errado ou começar mal são quase totais. Quando eu acordo nesses dias me apego nas chances de ser surpreendida por outras pessoas, sabendo que dificilmente me surpreenderei comigo, eu aposto uma parcela das minhas fichas especiais nas pessoas, talvez isso possa definir-se em esperança.
Eu aposto que vou ganhar um sorriso seguido de um bom dia, aposto que alguém vai comprar um chocolate só porque lembrou de mim ou que minhas amigas vão estar especialmente animadas conseguindo que as lágrimas saiam graças as risadas arrancadas por uma piada aleatória. Nesses dias eu aposto que você vai me chamar, dizer que sente minha falta quando eu fico emburrada, que precisa do calor de um sorriso e que meu humor faz sim total diferença.
Que as dores das antigas faltas de amor não prevaleçam nunca, nem em dias bons ou ruins. Que todos os medos que rondam a minha mente fiquem cada vez menores, a ponto de sumir. Que as incertezas não se aproximem nem um milímetro do meu coração, já que elas são extremamente contagiosas e não podem afetar o que eu tenho de melhor. Que eu continue acreditando e espalhando por ai que o amor cura. Que todas as porradas que eu tomei deixem a minha armadura mais forte e que eu saiba sempre a hora certa de baixar a guarda. Que todas as más lembranças se transformem em coragem para viver uma grande aventura outra vez, sem me privar de dar sorrisos largos e suspiros longos.
Que os teus olhos continuem me causando um choque elétrico quando encontram os meus. Que o seu abraço continue sendo o lugar mais confortável, principalmente quando ele se prolonga por você não querer se distanciar. Que eu saiba que os sorrisos são a fonte inesgotável da vida e que alguém, em algum lugar no planeta, precisa deles para sorrir também. Nós somos feitos de esperança sobre dias melhores, sobre alguém que não seja suficientemente tolo a ponto de nos largar, sobre amizades que apenas nos tire sorrisos e esperamos também pelo conforto. O conforto do sorriso, do abraço, da segurança que algo nos traz.
Vivemos esperando que as coisas melhorem. Mas, lhe afirmo sem dúvidas e provavelmente a ponto de lhe deixar sem argumentos que: O mundo é daqueles que fazem as coisas melhorarem. O mundo é daqueles que acordam nas terças nubladas e chatas e decidem fazer a melhor terça nublada da vida deles. O mundo é, definitivamente, daqueles que metem a cara com toda a coragem, que é o combustível da esperança, para bater no peito e ter a certeza de que as coisas vão melhorar, precisam melhorar.
Que além de amor, paz e paciência tenhamos o tipo de esperança que alimenta a coragem. Que tenhamos a coragem de levantar nas segundas/terças/qualquer-dia-chato da semana e dizer a nós e ao mundo que existe uma chance de recomeçar. Porque há.
By Marii Caminha às 09:01 Nenhum comentário:
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Marcadores: acredite, Essência, Mundo, pessoas, Tudo ou nada, Vontade de viver até a última gota

sábado, 21 de março de 2015

MEUS erros


09

Nem sempre eu sei pedir desculpas. É que tenho um lado orgulhoso que me enreda e me deixa meio trapalhada. Nem sempre sei dizer as coisas certas. É que às vezes fico paralisada e com medo de colocar tudo a perder. Logo eu, que gosto tanto de ganhar. Nem sempre sei ser adulta. É que, como eu já disse, não sei perder. Quero tudo para agora, pois daqui a cinco minutos não sei para onde a vida vai nos levar. E isso me assusta.

Sei que nem tudo pode ser do meu jeito, mas insisto em não aceitar as coisas. É claro que existem muitas formas certas, mas sempre acho que a minha é melhor e isso me desgasta. Deveria aceitar as pessoas como elas são, mas sempre espero demais, tenho expectativas, tenho aquela esperança boba de que algo mude com meu toque mágico. Mas não tiro coelho da cartola, pois nem cartola tenho.

Preciso parar de querer que tudo seja como eu quero. Frase estranha, eu sei. Mas vivo querendo que tudo seja como eu imaginei e as situações muitas vezes me dão rasteira, me estatelo no chão e fico sem saber o que fazer com meus pedaços feridos.
09

Esperar não é pra mim. Se eu preciso de uma coisa é para agora, não adianta ser depois. E se você não entende isso, tudo bem, deixa que eu faço e depois jogo na sua cara que fiz. É que tenho essa mania feia e jogar na cara do outro.
Ninguém é massinha de modelar. Não posso te amassar, te moldar, te arrumar da forma que quero. Você é como é, eu sou como sou e podemos nos aceitar assim ou não. A escolha é só nossa. O problema é que sempre achamos que podemos tudo, mas não podemos nada. As coisas são dessa forma, você aceita se quer. Uma pessoa só muda se quer, se tem vontade, se faz esforço. Eu não tenho poderes para mudar ninguém, mal consigo ajustar o que anda desajustado em mim. O dia que todo mundo entender isso vai ser mais fácil viver a dois, a três, a quatro, a mil.



By Marii Caminha às 08:50 Nenhum comentário:
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terça-feira, 17 de março de 2015

SAUDADE sem destinatário

Ando sentindo uma saudade descabida. Saudade descabida porque não está cabendo em mim mesmo. Não cabe em lugar algum. Transbordou. Saiu da borda. Uma saudade estranha. Uma saudade de ninguém. Uma saudade que não tem nome ou um endereço específico. Saudade de ligar pra alguém e chamar pra almoçar. Saudade de sair do trabalho seis horas da tarde e chamar pro cinema. Saudade de assistir televisão domingo à tarde debaixo do edredom. Saudade de ter com quem conversar no final do dia. E de ter alguém em quem pensar quando acordo. Saudade de poder falar que gosto (e também poder falar “não gostei”) sem precisar ensaiar antes. Saudade de sentir saudade de alguém.
Saudade do cheiro do meu perfume favorito em outra pele suada. Saudade de ouvir que eu sou linda (de manhã cedo com a cara amassada). Saudade de ficar em silêncio ouvindo a respiração. Saudade de viajar sem precisar dirigir. De cantar no carro e alguém me ouvir. Saudade de ouvir o CD de músicas favoritas que eu não gosto.
Saudade de acordar com flores e de receber presentes sem nenhuma data especial. Saudade de ter uns apelidos estranhos, que não têm nada a ver com o meu nome. Saudade de fazer as pazes e abraçar mais forte. Saudade de ser a número um e não apenas mais um número. Saudade de ser entendida sem precisar me explicar. De dizer o que eu quero sem precisar falar. Saudade de ser tão igual e fazer toda a diferença. Saudade de gostar dos mesmos lugares e de bebidas tão diferentes. Saudade do calor, do cheiro, do gosto. Saudade do toque, do beijo, do carinho. Saudade com remetente e sem destinatário. Saudade sem preço, sem endereço e sem data pra expirar. Saudade do que ainda me falta viver.
By Marii Caminha às 08:15 Nenhum comentário:
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Fui



Eu cansei. Não foi de você. Foi de mim. Da vida que tenho levado, com ou sem você. Cansei de insistir, cansei de me desgastar, cansei de lembrar.
Por muito tempo estive ao seu alcance, tentei fazer valer a pena. Perdi tempo demais com isso. Mas sabe de uma coisa, não se faz dar certo. Ele simplesmente dá. Hoje entendo que o mínimo esforço de qualquer lado para que algo dê certo, fadará a não dar certo.
Tenho buscado por mim. Esbarro rotineiramente na sua lembrança cruzando meu caminho. Mas quer saber, você não está onde quero me encontrar. Então, por favor, mantenha distância. Não quero mais nada.
Nesses últimos dias, tenho experimentado coisas novas. Tenho vivido. Tenho me encontrado.
E foi sem você!
By Marii Caminha às 04:55 Nenhum comentário:
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