quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Viva a vida!
Viver ultrapassa entendimentos, gera saudades, expectativas. Inspira,
filtra, doe, sangra, contagia com sentimentos e sensações e deixa
pegadas sobre as trilhas do tempo, que não espera ninguém passar, mas é
necessário perpetuar-se nele. Viver é perigoso, incerto, duvidoso, é
raro pois a maioria das pessoas existem, mas para os que se arriscam
vale a pena apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de
crise.
Viver custa lágrimas, alegrias, recordações, emoções, sorrisos e faz o
seu corpo descobrir o mundo. A única certeza que se tem é a incerteza.
No meio de tudo isso surgirão história pra contar, pessoas pra abraçar,
cantar e sonhar junto. As tristezas do passado servirão de riso, os
aniversários serão marcos de novas fases que virão, as inquietações e
questionamentos serão substancias necessárias para descobrir o novo a
sua frente. Se viver custa caro pague pra ver.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Não esqueci
Não esqueci a tempestade por que passei, mas a vida foi me dando
analgésicos e a dor, aos poucos, foi aliviando. Mesmo que alguém tente
ameaçar os meus dias com chuviscos, nuvens negras ou trovoadas, hoje fez sol, e a previsão para amanhã também é de sol. Amanhã vou começar o dia sorrindo, porque a vontade renasceu dentro do meu corpo e na minha alma.
sábado, 31 de agosto de 2013
Feliz por nada
Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2013 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Sentimentos
A verdade é que desde sempre foi
complicado entender o que eu sinto, mas eu sempre tentei descrever em
palavras para que, quem sabe alguém mais ou menos desocupado do que eu,
pudesse entender por mim.
A vida bateu na minha cara, muitos dias
seguidos, sem poesia nenhuma que era pra me deixar sem vontade alguma de
abrir os olhos. Só que os olhos são meus e cabe a mim saber até onde é
bom enxergar, mesmo que sejam só coisas ruins que não vão me dar o
sorrisinho que eu tenho que carregar todas as manhãs. Assim como tudo na
vida, amores e amigos vêm e vão e, fico aqui perguntando baixinho, quem
sou eu então pra decidir que os meus não deveriam ir?
Não adianta mais prometer que será pra
sempre. Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e
expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos. Eu não quero dor.
Eu não quero olhar no espelho e ver você escorrer, manchando minha
maquiagem.
É pelo medo de cair de novo que meus
joelhos tremem. Eu quero, no mínimo uma garantia. E eu só preciso me
desfocar do sonho que me deixa míope e enxergar além, ou melhor:
enxergar o que está na minha cara. Antes de dormir rezei, pedi a Deus
que perdoe tanta ingratidão de minha parte, por não enxergar tudo de bom
que a vida me oferece, e continuar aqui me lamentando e fazendo tudo
por você.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
A capacidade de se encantar
Muita gente diz que adora viajar, mas depois que volta só recorda das
coisas que deram errado. Sendo viajar um convite ao imprevisto, lógico
que algumas coisas darão errado, faz parte do pacote. Desde coisas
ingratas, como a perda de uma conexão ou ter a mala extraviada, até
xaropices menos relevantes, como ficar na última fila da plateia do
musical ou um garçom mal-humorado não entender o seu pedido. Ainda
assim, abra bem os olhos e veja onde você está: em Fernando de Noronha,
em Paris, em Honolulu, em Mykonos. Poderia ser pior, não poderia?

Outro dia uma amiga que já deu a volta ao mundo uma dezena de vezes
comentou que lamentava ver alguns viajantes tão blasé diante de
situações que costumam maravilhar a todos. São os que fazem um safári na
Namíbia e estão mais preocupados com os mosquitos do que em admirar a
paisagem, ou que estão à beira do mar numa praia da Tailândia e não se
conformam de ter esquecido no hotel a nécessaire com os medicamentos, ou
que não saboreiam um prato espetacular porque estão ocupados calculando
quanto terão que deixar de gorjeta.
Não saboreiam nada, aliás. Estão diante das geleiras da Patagônia e
não refletem sobre a imponência da natureza, estão sentados num café em
Milão e não percebem a elegância dos transeuntes, entram numa gôndola em
Veneza e passam o trajeto brigando contra a máquina fotográfica que
emperrou, visitam Ouro Preto e não se emocionam com o tesouro da
arquitetura barroca – mas se queixam das ladeiras, claro.
Vão à Provence e torcem o nariz para o cheiro dos queijos, olham para
o céu estrelado do Atacama sofrendo com o excesso de silêncio, vão para
Trancoso e reclamam de não ter onde usar salto alto, vão para a India
sem informação alguma e aí estranham o gosto esquisito daquele
hamburger: ué, não é carne de vaca, bem? Aliás, viajar sem estar
minimamente informado sobre o destino escolhido é bem parecido com não
ir.
Estão assistindo a um show de música no Central Park, mas não tiram o
olho do Ipad. Vão ao Rio, mas têm medo de ir à Lapa. Estão em Buenos
Aires, mas nem pensar em prestigiar o tango – “programa de velho!” São
os que olham tudo de cima, julgando, depreciando, como se o fato de se
entregar ao local visitado fosse uma espécie de servilismo – típico
daqueles que têm vergonha de serem turistas.

É muito bacana passar um longo tempo numa cidade estrangeira e
adquirir hábitos comuns aos nativos para se sentir mais próximo da
cultura local, mas quem pode fazer essas imersões com frequência? Na
maior parte das vezes, somos turistas mesmo: estamos com um pé lá e
outro cá. Então, estando lá, que nos rendamos ao inesperado, ao sublime,
ao belo. Nada adianta levar o corpo pra passear se a alma não sai de
casa.
(Martha Medeiros)
Hoje
Acredito em mim mesma, acredito que eu posso alcançar meus sonhos
mesmo que isso demore, vou seguindo meu caminho e
cultivando tudo o que me faz bem, com paz e
harmonia. Quando chegar no fim vou sorrir, sorrir muito e agradecer a Deus
por tudo o que aconteceu!
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